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O Opinião

Líderes que temos. Exemplos que recebemos

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Desde adolescente até aos dias de hoje que sempre ouvi a seguinte frase: “os políticos são um bando de aldrabões, de corruptos que só pensam no interesse deles”. Quer em conversas com amigos, na faculdade, num âmbito familiar ou em conversas com colegas de trabalho. Até que um dia me comecei a questionar sobre a razão para que esta “espécie” de ser humano seja tão diferente das restantes pessoas em Portugal.

Tanto quanto sei, os partidos em Portugal ainda não contractam políticos como os clubes de futebol contractam jogadores. Quer isto dizer que a esmagadora maioria dos políticos nasceu ou vive em Portugal desde tenra idade. Frequentaram as mesmas escolas que nós (cidadãos idóneos), beberam copos com os amigos nos mesmos sítios que nós, foram às mesmas praias que nós.

Portanto, na verdade, os políticos não são assim tão diferentes de nós. E isso significa que nós, os cidadãos Portugueses também não temos sido exemplares.

Veja os casos de corrupção na banca? Casos de corrupção em obras públicas? Ou com advogados. Casos de falsas receitas médicas que envolviam médicos e farmacêuticos, que lesaram o estado. Quantas vezes, num restaurante ou numa oficina não nos perguntaram: “quer com IVA ou sem IVA”? 

A diferença entre o cidadão “comum” (usei as aspas porque ninguém é comum, todos somos importantes para a sociedade), como eu e o leitor, e os políticos é que estes estão em cargos onde têm que tomar decisões que por vezes acarretam valores monetários muito elevados. Infelizmente a tentação e a sensação de que nem sempre quebrar as regras significa punição, podem levar a melhor. Se por vezes ficamos contentes porque ao pagar o arranjo do carro sem IVA poupamos centenas de euros (mas na verdade prejudicamos todos os pagadores de impostos), imagine-se então no lugar de um político onde pode conseguir milhares (ou milhões) de euros…

Isto não é nada fácil de admitir, custa muito, mas se não alterarmos estes comportamentos Portugal vai continuar a ter os mesmos problemas. E a origem do problema está nos exemplos que vemos desde crianças.

Um dia explicaram-me o quão importante é o papel dos adultos para a formação de uma criança, sobretudo o da Mãe e o do Pai. As crianças estão sempre atentas e tentam imitar a Mãe ou o Pai. Mesmo que estes digam à criança “faz da forma A”, se depois fizerem da forma B, a criança irá fazer da forma B. 

Imagine uma família a passear de carro e o Pai (ou a Mãe) vai a conduzir e segue a 150 km/h na Auto - Estrada. A criança sempre ouviu os Pais a dizerem algo como “filho(a) deves sempre respeitar as regras”, mas depois a criança vê que circulam acima da velocidade máxima e que na grande maioria das vezes não lhe acontece nada. O que é que a criança fará quando crescer? Vai conduzir também a 150km/h, porque no seu subconsciente acha que nada lhe acontecerá. 

Este caso prático pode parecer insignificante, mas serve para demonstrar como nós desde tenra idade somos moldados para quebrar as regras (as quais existem para o beneficio de todos, e não apenas de alguns) achando que nada nos acontece. Já agora, se o leitor tiver um perfil de Facebook, facilmente encontra 2 grupos que se chamam “Radares de Portugal” e “Operações STOP Lisboa” os quais tem 255 000 e 155 000 membros, respectivamente. Ora se nós cidadãos apregoamos que somos todos cumpridores da lei, como é que se explica a existência e popularidade destes grupos? Se todos circularmos a 120 km/h na Auto - Estrada, não somos multados...

No fim do dia ficamos chateados porque os políticos quebram as regras, mas é precisamente este principio de impunidade, ou a ideia de que quebrar certas leis não tem mal nenhum, que levou a que alguém condenado por fraude fiscal e branqueamento de capitais tenha sido eleito presidente de uma camara. É comum ouvirmos “ele rouba, mas faz!”

E para terminar, não posso apenas “apontar o dedo aos outros” tentando passar a ideia de que sou muito diferente. Essa é precisamente uma das falhas que os eleitores têm apontado aos nossos políticos, (fortes a criticar os outros, mas fracos a reconhecer as suas falhas). 

Faço “Mea culpa” pois por várias vezes quebrei as regras (quer em excesso de velocidade, quer em não pedir faturas com IVA) e nada me aconteceu. E assim não fui o melhor exemplo que as futuras gerações deste país precisam.

Queremos uma sociedade menos corrupta e menos fora-da-lei? Então vamos todos em conjunto procurar comportamentos exemplares para que o “quebrar da regra” seja apenas uma exceção e não a regra.

E assim possamos ter (e ser) grandes Líderes amanhã.

Tiago Guerreiro, consultor informático

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