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O Opinião

O Assédio em Hollywood é uma das consequências de um problema muito maior

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As sucessões de relatos de casos de abusos que vieram a público no mundo inteiro têm marcado a actualidade e a opinião pública.

O assédio, ou qualquer abuso sexual antes de mais, são profundas perversões das relações humanas, é o triunfo do individualismo, a instrumentalização de um outro para a sua própria satisfação pessoal. São absolutamente inadmissíveis e têm de ser condenados.

A luta contra o assédio tem no entanto de ser um combate pelo restauro da dignidade humana, que de tantas formas tem sido ameaçada nas últimas décadas, como com o aborto e a eutanásia.

Contrariamente ao que o Marxismo cultural cegamente propõe, ou seja, que só a partir de uma terrível luta de géneros entre o homem e a mulher será possível alcançar um dia a desejada igualdade, à imagem e semelhança da velha luta de classes. Não é disso que se trata. Ainda que naturalmente sejam as mulheres a esmagadora maioria das vítimas nestes casos de abusos e até de violência domestica.

Em primeiro lugar, não adiro facilmente ao argumento de que quanto menos roupa a moça usar, mais susceptível estará a um possível abuso. Tanto que se esbate imediatamente quando confrontado com a situação trágica das mulheres no médio oriente que estão tapadas até aos olhos e nem por isso menos vulneráveis a todo o tipo de atrocidades, pelo contrário. Ainda que naturalmente seja um outro dos grandes problemas do individualismo que dá uma preferência substancial ao culto do eu e da imagem.

Recentemente, tive a oportunidade de ouvir um relato simples de uma amiga sobre o tema. Um dia estava a caminhar na sua rua, quando de um carro, 4 indivíduos começam a dirigir-lhe piropos que estilhaçam rapidamente para a fronteira do ordinário! É um relato normal que não devia ser, a história não passa disto sem haver incidentes de maiores dimensões. Mas naturalmente sentiu-se incomodada, o medo de quem está a par de que o mal não acontece apenas aos outros. Este para mim é o ponto crucial. Não podemos permitir nem sequer tolerar sobre que pretexto for, que o medo domine e tome conta da vida das pessoas. A actuação tem de ser imediata, ainda que seja naturalmente ridícula as iniciativas da extrema-esquerda que se propõe a fiscalizarem o piropo quase a tocar o fascismo da nova moral e costumes. Mas se a actuação sobre as boas maneiras não deve incidir principalmente na responsabilidade e competência dos governos, tem de estar presente no dia-a-dia das famílias. É por natureza um problema educativo, que ficará ao cargo da nova geração. Como tal, se for chamado ao desafio da paternidade terá de ser com base no respeito absoluto pela integridade do homem e da mulher e na premissa de que cada ser Humano é absolutamente único e irrepetível, que serei chamado a educar os meus filhos.

Posto isto, torna-se quase irrisório que esta questão tenha ganho repercussões mundiais após vários casos expostos no seio de Hollywood. O responsável supremo da desconstrução do amor para algo que serve exclusivamente para realização do indivíduo e não como a forma máxima da complementaridade da relação entre duas pessoas. Aqueles que durante décadas têm ditado uma superioridade moral deparam-se agora com as consequências trágicas das suas acções. Para além das evidências claras e inequívocas das denúncias que originaram campanhas como a do “metoo”, questiono-me, até que ponto não se trata de questões de poder? Ou seja, será de agora que ouvimos relatos de que certos atores não vingaram, ou perderam possibilidades únicas de carreira por não se sujeitarem a certas situações, que consideravam ir profundamente contra os seus princípios? Será isto alguma novidade para alguém? Como tal, não consigo deixar de questionar, não pondo em causa qualquer das vítimas, será que vale a pena sujeitarmos a nossa dignidade, vender o nosso corpo por um papel, por um traço de fama? Não será possível que algumas das situações que vieram à praça pública estejam acima de tudo relacionadas com as perversões de bastidores? Honestamente, acho bem possível.

É essencialmente a imagem de um castelo de cartas a ruir, o castelo é a indústria da sétima arte, as cartas são os ideais que desvanecem à vista do comum dos mortais. Como tal, não estranho que o alarido tenha partido de Hollywood, rosto dos valores que movem os nossos tempos. Na destruição do Casamento colocando-a como instituição obsoleta sem valor, com o divórcio como medida comum e não excepcional. Ao colocarem em causa o direito básico de cada criança a ter um pai e uma mãe. Com os ataques contínuos à família como célula basilar da sociedade. São as luzes dos holofotes viradas para um despudor total e sem limites.

Se fiquei surpreendido com este escândalo que se arrasta? Naturalmente que não, o assédio em Hollywood é consequência de um problema maior, a falência consumada de uma cartilha de principios e de valores.

 

José Maria Matias

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