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O Opinião

A política e eu – eu sou aquilo que faço acontecer: em mim, no meu mundo e no mundo do Outro

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Sou aquilo que escrevo, que penso e que construo: escrita sobre pedra, sobre areia ou sobre papel. Nós, humanos, temos a força das nossas convicções: ideias, sonhos e aspirações. Somos desejo, movimento e ambição: (i) desejo de voo; (ii) movimento de transformação; e…  (iii) ambição? Não, não é de mudar o mundo; não, não é de remar contra a maré; não, não é de participarmos num suicídio individual ou coletivo, mais rápido ou mais lento. É, sim, afirmar: somos aquilo em que cremos; cremos naquilo que fazemos; fazemos aquilo que nos comanda; comanda-nos aquilo que nos atrai; atrai-nos aquilo que nos move, nos revolve, nos vira do avesso, nos vira de pernas para o ar e nos faz permanecer em pleno voo para o resto das nossas vidas.

O pragmático e o simbólico são dois lados da mesma moeda. “Conhece-te a ti mesmo.” – estava escrito sobre o pórtico do Templo de Delfus. É isso a ação política! Reconhecermos, aperfeiçoarmos e pormos a render a humanidade que nós somos: a humanidade que nos faz partilhar alguma coisa especial com todos os humanos da terra: os presentes, os do passado e os que estão para vir.

Será a política o lado mais nobre do ser humano? O desenho de uma sociedade ideal, de uma utopia, será isso que move a política? A construção de um mundo perfeito, em que tudo está pensado, decidido e predeterminado, será isso, a política?

Não, não e não. Esta postura idealista, abstrata e utópica faz parte do problema e não da solução. Não, não basta sonhar, idealizar ou criar castelos no ar.

A política é uma attitude. A política é uma determinação. A política é ação, movimento e dinamismo. A política é construção, afirmação e decisão. Não é o desenho de algo fechado, em círculo. É o desenho de algo aberto e em espiral.

A ação política atravessa o íntimo mais íntimo do ser humano. Porquê? Porque a pedra reage ao ambiente que a rodeia e adapta-se – ao longo de milénios; um caracol, ou um organismo unicelular, reage ao ambiente que o rodeia e adapta-se; mas o humano, faz exatamente como a pedra ou o caracol, reage ao ambiente que o rodeia e adapta-se, com a única diferença da temporalidade. O ritmo de reação e de adaptação é muito mais rápido; daí ser possível, em tempo de vida útil, agir, intervir e fazer acontecer.

Os castores constroem diques, os coelhos tocas e as aves ninhos. Mas os humanos constroem cidades, navios e naves espaciais; cidades, navios e naves que têm vida própria; que captam algo único da organização humana e que a fazem progredir e alcançar o seu melhor. O seu melhor não é mais do que o melhor do melhor, a realização do pleno potencial de todos os envolvidos. É isso a ação política. É isso o desenho e a construção de uma utopia que se concretiza todos os dias, em cada passo, em cada gesto e em cada palavra.

Sim, participação cívica, ciberpolítica, movimentos de cidadania, cidadania global, justiça social e economia social. Ainda: tecnologia, indústria 4.0, mobilidade, competitividade win-win e inclusão social – tecnologia ao serviço da transformação social.

Temos então:

  • Se é uma cultura de morte que leva cada civilização a entrar num processo de auto-destruição por uma competição mórbida;
  • se é uma cultura de medo que nos faz medo de ter medo, nos tolhe o olhar, nos cala a voz e nos aprisiona em nós mesmos;
  • e se é uma cultura de desconfiança que nos faz não acreditar no que é novo, inaugural e catalizador de mudança, numa nova geração revolucionária e restauradora,
  • então, é aí que entra a política.

A política é ciência, é técnica e é arte.

É ação e a ação é pensamento, memória, imaginação e vontade.

Política é desejo.

Só uma coisa conta: não matar o desejo.

Só uma coisa conta: alimentar o desejo.

E o desejo é um círculo virtuoso e um vício bom.

Quanto mais se tem, mais se quer.

É isso.

Vivemos numa sociedade injusta?

Num mundo injusto?

Numa época injusta?

Porque será?

Porque não conhecemos melhor!

Se criarmos, construirmos, determinarmos e vivermos algo diferente e melhor, isso basta.

O barco já está em movimento; muitas iniciativas já estão a mudar o mundo.

Basta dar-lhes voz, dar-lhes gás e dar-lhes tempo de antena!

Força!

 

Ângela Lacerda Nobre

LIVRE

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