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O Opinião

Passividade cívica

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Muitas pessoas pensam que a política, e o correspondente exercício do poder, é das actividades mais nobres. Outras acham que quem se dedica a isso são só os bandidos. Outras ainda acreditam que a política é tão importante no nosso quotidiano, que o seu exercício não deve ser deixado exclusivamente aos políticos profissionais. E é com esta última linha de pensamento que mais me identifico.

Essa é precisamente a forma menos desejável para os profissionais da política. Sim, porque eles existem. Mesmo que alguém que ande duas ou três décadas a viver da política jure a pés juntos que não é profissional da mesma. Quanto mais pessoas se interessarem, participarem e intervirem na actividade política, menor o grau de probabilidade de sucesso destes carreiristas.

As formas para afastar o comum cidadão são inúmeras. A começar pelos próprios partidos políticos, que, na sua larga maioria, se fecham em bandos organizados com uma estrutura hierárquica rígida e que deixam pouco espaço para o debate interno e nenhum espaço para a opinião externa. Mas passa também pela legislação criada, normalmente massuda e de difícil compreensão; os regulamentos, regimentos e afins que são precisos cumprir; as dificuldades e barreiras burocráticas interpostas; o pedantismo da ostentação do domínio profundo de determinadas matérias (que na maior parte das vezes é só retórica, pois existem quadros técnicos nos diversos níveis de governação que se ocupam dessas questões); os horários incompatíveis para quem exerce uma actividade profissional… Mesmo a revolução tecnológica e as plataformas digitais, que deviam facilitar o acesso e intervenção na cena política por parte da cidadania, ainda estão bastante aquém das suas reais potencialidades.

Posto isto, assalta-nos a pergunta: Será que o exercício da actividade política está, à partida, viciado, para benefício dos actores habituais? Evidentemente que sim. Mas cabe a nós, enquanto cidadãs e cidadãos interessados e que achamos ter uma palavra a dizer na gestão das nossas vidas, engendrar formas de contornar os obstáculos que se vão deparando pelo caminho. De forma pessoal ou associativa; escrevendo artigos de opinião ou promovendo petições; criando debates ou reunindo grupos de reflexão. Tudo é válido, desde que daí advenha um debate salutar e profícuo, que de alguma forma abane a sociedade (à escala local, regional, nacional ou transnacional) e a obrigue a trazer a discussão dos temas políticos para o espaço público. Claro que a existência de um olhar mais capacitado em determinadas matérias, ajuda ao esclarecimento de algumas dúvidas, logo à constituição de uma opinião mais fundamentada. Muitas questões não podem deixar de lado a componente técnica e científica, sem a qual não poderemos formar opinião. E essa deve ser também uma preocupação a ter em conta.

Como cidadãs e cidadãos de uma sociedade democrática devemos ver a política como um exercício de cidadania. A passividade cívica é algo que nunca irá beneficiar a nossa vivência ou a da sociedade em que nos inserimos. Estar alerta e intervir é a forma correcta de sermos peças fulcrais da nossa comunidade. Devemos criticar, opinar, sugerir ou emendar as propostas que vão sendo apresentadas ou as medidas que vão sendo tomadas. Sempre no sentido do seu melhoramento. Porque o inconformismo é positivo! Não deixem que ninguém vos convença do contrário.

 

Montijo, 05 de Dezembro de 2017

Miguel Dias

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