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O Opinião

Em defesa da Defesa

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As Forças Armadas continuam a ser um tema controverso e alvo de opiniões divergentes entre a população. Para uns as Forças Armadas já não fazem sentido, para outros o efetivo deveria ser reduzido, existe ainda uma opinião generalizada de que há um desperdício de recursos e excesso de benefícios para os militares.

A ajudar a inflamar esta opinião, surgem depois situações como as mortes no Curso de Comandos que fazem levantar questões como o exagero de rigor no curso, a falta de acompanhamento dos exercícios e até mesmo a necessidade de termos uma força especial como os Comandos ou situações como o “roubo” de material em Tancos.

Temos assistido ainda notícias que a meu ver nada ajudam a população a formular uma opinião mais válida e realista, pois por um lado temos assistimos a notícias internacionais como: a Alemanha pretende aumentar os efetivos e o valor orçamental atribuído à Defesa até 2020, a Suécia também pretende reforçar os números devido a tensões no Mar Báltico com a Rússia, anunciou até que irá voltar a ter serviço militar obrigatório e claro os Estados Unidos também aumentaram o orçamento para a Defesa. Para além disto temos a crescente crispação com a Turquia e ainda as movimentações da Coreia do Norte, que poderão influenciar outros países a tomar medidas internas na área da Defesa. Por outro lado temos as notícias nacionais em que parece que andamos a brincar aos soldadinhos e que não conseguimos planear mais do que o próximo mês. Assistimos a opiniões e contra-opiniões por parte das chefias militares e por parte de responsáveis do ministério que são no mínimo contraditórias, dando a clara ideia de jogos políticos e pouca preocupação em definir um caminho realista e condizente com a atualidade do nosso país.

São exemplo disto notícias onde é referido que há 6 mil vagas por preencher. Outras a afirmarem que deveríamos voltar a ter serviço militar obrigatório (SMO), logo seguido de um “não faz sentido” por parte dos agentes políticos. Dos que afirmam a necessidade de voltar ao SMO alegam que os incentivos para alimentar as fileiras de forma voluntária são escassos, mas falham redondamente na justificação ao fazerem a comparação, a meu ver ridícula, com os vencimentos dos agentes da PSP em início de carreira.

Surge ainda quem defenda que para compensar se deveria alargar o tempo máximo de contratos para 18 anos - relembro que este tempo já foi de 9 anos e foi reduzido para 6 mais ou menos na mesma altura em que terminou o serviço militar obrigatório na altura designado SEN (Serviço Efectivo Normal) e não SMO que era a designação por alturas da Guerra Colonial.

A meu ver isto não é mais que uma vã solução, uma espécie de recibos verdes prolongados, pois regressar ao mercado de trabalho com quase 40 anos e uma experiência profissional que não é facilmente extrapolada para a sociedade civil vai trazer mais dissabores que vantagens para aqueles que optem por estes novos contratos.

Assim como o aumento no tempo de contrato não me parece ser a melhor solução, também o regresso da obrigatoriedade me parece contraproducente, pois para a população em geral não vai ser fácil justificar essa necessidade o que irá gerar desmotivação e o regresso de problemas como o de deserção.

Assim como achei, na altura, que o fim do serviço militar obrigatório foi demasiado abrupto e que as Forças Armadas iriam sentir problemas pois não tinham sido devidamente acauteladas as saídas de tantos efetivos. Também acho que o regresso dessa obrigatoriedade é um retrocesso, um passo atrás e de difícil explicação para a população.

Desta forma é urgente tornar o papel das Forças Armadas mais visível para a população, “publicitar” mais e melhor a utilidade para o país, quer seja nos apoios prestados no âmbito de proteção civil, quer no âmbito militar propriamente dito. Só assim será possível ter os voluntários necessários. As atividades de apoio à população civil, principalmente em situações como as dos incêndios deste ano, são uma óptima oportunidade para dar a visibilidade necessária e simultaneamente acelerar os processos de reconstrução.

Relembro que nas Forças Armadas há engenheiros, médicos, enfermeiros e mais um bom conjunto de outras valências que podem ser colocadas ao dispor das populações para permitir resoluções a curto prazo.

Caros governantes e oficiais superiores das Forças Armadas apelo à vossa criatividade para que não caiam no erro de recorrer às resoluções simples que envolvem o aumento de vencimento e a obrigatoriedade da prestação serviço ou ainda limitarem-se a desfazer os caminhos que anteriormente foram traçados. A melhor forma de acabar com o tabu envolta das Forças Armadas é a transparência.

 

Nuno Rolo

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